16 Agosto, 2011

corpoética num origami de-mais





A propósito das dobras corpo/coisa, coisa/nome, nome/mais (vincadas na postagem anterior) vou agora adicionar/agregar/ampliar o sentido do advérbio mais sugerindo um acróstico relacionável à realidade processada pelo corpo: movimento, arte, idéia, sabor. Portanto, para cada letra desse mais procuro mais um jeito de renomear fenômenos de cultura que intensificam, adensam e tensionam o viver corpóreo.

Vida é movimento. E movimento é um nome dado àquilo que altera a realidade/corporeidade. Às vezes, o movimento regular e repetitivo; outras, um movimento aprendido e habitual; ou ainda, movimento fortuito e descompassado. Movimentos do coração, da linguagem, do imponderável... Também é movimento a mudança nas maneiras de viver: da mesmice para o novo (e vice-versa); do seguro para o arriscado (e ao contrário); da indiferença para o compromisso (e pela via oposta).

Vida é arte do movimento no movimento das artes. E arte é um nome dado àquilo que recria a realidade/corporeidade. Desde o seu significado como técnica, ciência, recurso, até seu entendimento como obra dotada de sentido em si mesma, a arte qualifica a vida, projetando-a para além dos limites do natural. Sempre que arte é produzida, a natureza das coisas se reveste de artifícios reinventores do próprio artista e dos que são alcançados por sua expressão.

Para cada arte na vida uma idéia emerge como imagem. E idéia é um nome dado àquilo que contempla a realidade/corporeidade. Aliás, parece razoável imaginar que as idéias não têm vida própria; vivem enquanto vivem os corpos que as engendram e outros que a alimentam. A variedade de idéias, assim, deve ser tomada como chance privilegiada de cultivo da vida. Sem dúvida, oportunidades imperdíveis podem estar camufladas sob nuvens de abstrações. Ou seja, abdicar do encontro com as idéias é renunciar à vida civilizada e se esconder na caverna da barbárie.

Enfim, o saber das idéias movimenta o sabor das artes. E sabor é um nome dado àquilo que imediatiza a realidade/corporeidade. Desse modo, convém suspeitar que o sabor não seja refém do saber. Um conceito por melhor que seja não circunscreve a qualidade do sabor. Saborear os movimentos, saborear as artes, saborear as idéias... Em síntese, esse saborear também equivale a um princípio irredutível: sabor como primeiridade: sensação e sentimento; sabor como experiência do que palpita na presentidade.