Simultânea à sua capacidade de trabalho, a necessidade de nomear é uma característica básica da corpoética como cultura. Parece não haver dúvida: fazer as coisas com alguma intenção e representar o mundo com variados símbolos constituem a marca e a diferença da condição humana. A importância dos nomes dados às coisas está relacionada à possibilidade de levar a cultura ao estágio da comunicação, ou seja, havendo um acordo mínimo entre os corpos quanto aos nomes que dão às coisas está próximo um precário-porém-pragmático consenso sobre a sensação e a percepção dessas coisas.
Outro detalhe notável é que a partir de seus nomes as coisas ficam como que portáteis. Quando um nome é pronunciado ou escrito, a coisa a que ele se refere se apresenta à mente dos que o escutam ou lêem. Com o nome, a coisa cabe em toda palavra falada ou escrita. O nome, portanto, é uma ferramenta poderosa na experiência cultural da corporeidade: um instrumento que passa a refazer o mundo e a refazer os próprios corpos. E esse mundo refeito é novamente nomeado e assim se move a cultura.
Portanto, ao nomear, o corpo experimenta um nexo adicional entre o já existente e aquela representação que está surgindo. Em suma, para a corpoética, sempre um nome é mais.
