.
Nos termos de uma cromática, arrisco dizer que ideologia e violência não se explicam como cores que simplesmente se combinam, pelo contraste, no plano estático-estético (como verde-oliva e amarelo-ouro, por exemplo). Quem sabe, melhor supor que ideologia e violência correspondam à variedade de subtons do branco; este sim, resultado da dinâmica cromática - só percebido na movimentação/mutação das diversas cores (como no disco newtoniano). Em palavras mais diretas: tanto ideologia quanto violência participam da construção cotidiana que tem a corporeidade como origem e destino*, e estão ambas (ideologia e violência) distribuídas de maneira explícita ou dissimulada.
Ideologia pode ser entendida (entre outros sentidos) como fascínio do falso. Em destaque: a falsidade da idéia que toma o que é histórico como se fosse natural ou sobrenatural e que, por isso, deve ser aceito e mantido para um suposto bem comum dos corpos e do ambiente intercorpóreo. Concretamente, esse tipo de perspectiva perpetuadora, persuasiva e perniciosa só interessa àqueles corpos que não querem alterações substanciais nas circunstâncias de uma determinada configuração histórica de classe social, de crença espiritual, de costume comportamental etc.
Enquanto a ideologia atua numa dimensão mais abstrata e sutil, a violência o faz de maneira mais concreta, vil. É ainda característica da ideologia ser constante; já a violência apresenta uma especificidade mais incidente. Como no dito popular: se não vai por bem, vai por mal - no que fica subentendida a vantagem do funcionamento preventivo ideológico, cabendo à violência uma eficácia substitutiva. Noutros termos, a violência sucede com sucesso ao fracasso da ideologia. Entretanto, é razoável considerar que além (bem como antes) da ideologia e da violência se completarem também se confundem: a ideologia é violenta, assim como a violência é ideológica.
_______________________________
Nos termos de uma cromática, arrisco dizer que ideologia e violência não se explicam como cores que simplesmente se combinam, pelo contraste, no plano estático-estético (como verde-oliva e amarelo-ouro, por exemplo). Quem sabe, melhor supor que ideologia e violência correspondam à variedade de subtons do branco; este sim, resultado da dinâmica cromática - só percebido na movimentação/mutação das diversas cores (como no disco newtoniano). Em palavras mais diretas: tanto ideologia quanto violência participam da construção cotidiana que tem a corporeidade como origem e destino*, e estão ambas (ideologia e violência) distribuídas de maneira explícita ou dissimulada.
Ideologia pode ser entendida (entre outros sentidos) como fascínio do falso. Em destaque: a falsidade da idéia que toma o que é histórico como se fosse natural ou sobrenatural e que, por isso, deve ser aceito e mantido para um suposto bem comum dos corpos e do ambiente intercorpóreo. Concretamente, esse tipo de perspectiva perpetuadora, persuasiva e perniciosa só interessa àqueles corpos que não querem alterações substanciais nas circunstâncias de uma determinada configuração histórica de classe social, de crença espiritual, de costume comportamental etc.
Enquanto a ideologia atua numa dimensão mais abstrata e sutil, a violência o faz de maneira mais concreta, vil. É ainda característica da ideologia ser constante; já a violência apresenta uma especificidade mais incidente. Como no dito popular: se não vai por bem, vai por mal - no que fica subentendida a vantagem do funcionamento preventivo ideológico, cabendo à violência uma eficácia substitutiva. Noutros termos, a violência sucede com sucesso ao fracasso da ideologia. Entretanto, é razoável considerar que além (bem como antes) da ideologia e da violência se completarem também se confundem: a ideologia é violenta, assim como a violência é ideológica.
_______________________________
* Corpoética não é apenas uma sistemática de valores afirmativos; reconhece contradições da corporeidade, no mínimo, discutíveis.
